Marco Mendonça - New Talent

Marco Mendonça

Marco Mendonça

26 anos

Lisboa

Ator

Marco Mendonça tem 26 anos, nasceu em Moçambique. Vive em Lisboa desde 2007. Licenciou-se em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Trabalha regularmente com a companhia Os Possessos. Estagiou no Teatro Nacional D. Maria II, onde trabalhou com João Pedro Vaz, Tiago Rodrigues e Faustin Linyekula. Integrou espectáculos de Liesbeth Gritter (Kassys), Tonan Quito e Mala Voadora. Estreou-se como autor e co-criador, ao lado de João Pedro Leal e Eduardo Molina, em "Parlamento Elefante", projeto vencedor da Bolsa Amélia Rey Colaço. Em 2021, venceu a Rede 5 Sentidos com o projecto "Cordyceps", também em co-autoria com João Pedro Leal e Eduardo Molina. Integra o elenco de “Catarina e a beleza de matar fascistas”, de Tiago Rodrigues e tem desenvolvido trabalhos na área da escrita e tradução de peças de teatro.

O que faria com 10 mil euros?

Fechado em casa durante o primeiro confinamento, tornei-me hiper consciente da sorte que tinha em estar vivo. E, além de estar vivo, de ser um corpo relativamente saudável, a aproveitar as férias forçadas por uma pandemia. Pandemia essa que tornou ainda mais evidente o abismo social entre grupos privilegiados e grupos marginalizados. Nos milhares de mortes relatadas todos os dias nos telejornais, houve duas que me marcaram pela pior das razões. A 20 de Maio, nos Estados Unidos, George Floyd foi assassinado por um agente da polícia. E a 25 de Julho, em Lisboa, Bruno Candé foi assassinado por um ex-combatente da guerra colonial. Esses dois momentos trágicos fizeram crescer em mim uma necessidade incontornável de trabalhar questões raciais em projetos artísticos futuros. O primeiro desses projetos, com estreia prevista para 2023, será um solo teatral, criado e interpretado por mim, sobre blackface, uma prática teatral norte-americana que surgiu no século XIX. O foco deste projecto será a análise da história do blackface em Portugal e a forma como o racismo no entretenimento influencia as dinâmicas raciais no imaginário colectivo de uma sociedade que insiste em romantizar o seu passado colonial. Com 10 mil euros, teria condições para um processo de investigação mais rigoroso e prolongado, com possibilidade de adquirir todo o material bibliográfico necessário ao projecto e planear entrevistas com vozes importantes da luta anti-racista não só de Portugal, como dos Estados Unidos. Poderia também começar a formar uma equipa que me acompanhasse em todas as fases de produção do espectáculo.

Os meus trabalhos

Parlamento Elefante

Parlamento Elefante

Atuação, 2019

Catarina e a beleza de matar fascistas

Catarina e a beleza de matar fascistas

Atuação, 2020

CORDYCEPS

CORDYCEPS

Atuação, 2021